O Quinze,
Rachel de Queiróz                                               

O romance mais popular da escritora Raquel de Queiroz, O quinze, retrata a esperança, a fome, o milagre, a morte, a separação e a fé em Deus de que um dia chuvoso irá melhorar a vida de muitos retirantes sofredores.A obra que foi escrita em 1930, conta a saga de retirantes com muita fome que chegam a se alimentar de tripas de carneiro durante a seca de 1915, que também foi vivida pela escritora.

O quinze que está dividido em dois planos. No primeiro está o criador de gato Vicente, a professora Conceição e o vaqueiro Chico Bento e sua família. A jovem Conceição é prima de paixonite pelo rude primo, porém não pensava em se casar. Nas férias a professora ia para a fazenda da família, localizada em Logradouro, próximo a Quixadá. Com a previsão da chegada da seca, a avó de Conceição vai trabalhar no campo de concentração, lugar em que os retirantes ficam alojados e ai descobre algo muito desagradável de seu primo.

No segundo plano está Chico Bento, marido de Cordulina. O casal e seus cinco filhos vivem a tragédia da seca, representando então, os retirantes. Chico Bento é obrigado a abandonar a fazenda em que trabalhava. Com um dinheirinho, tenta comprar passagens de trem, tentativa sem resultados. Com este dinheiro Chico Bento compra alimentos e uma burra. E diz: “– Que passagens! Tem de ir tudo é por terra, feito animal! Nesta desgraça quem é que arranja nada! Deus só nasceu pros ricos!”. Junto à família quem caminha é a morte. Durante o percurso a fome bate, e Josias, o filho mais novo, come mandioca crua, envenenando-se e por fim morre. A família segue o seu destino. A fome não espera e o vaqueiro encontra uma cabra, à mata e come as tripas do animal.Após muito andar Chico Bento sente a falta de Pedro, filho mais velho. Em Aracape encontram um compadre delegado. Lá recebem mantimentos e descobrem que o garoto fugiu com comboieiros de cachaça. Mas é quando a família, ou melhor, o que restou da família, chega ao campo de concentração que surpresas acontecem.

Daí a nova atitude que o romance assume frente ao drama dos retirantes da seca, vistos agora de uma perspectiva que harmoniza o social e o psicológico sem perder o foco de entrada para alguns temas políticos da maior importância para a época, entre eles o da afirmação social da mulher ( no caso, a protagonista Conceição) naquele contexto difícil e sabidamente adverso. Sob este aspecto, se é correto dizer, como o fez a melhor crítica, que a heroína do Quinze em ultima instancia investiga e interroga o seu destino, a verdade é que, visto a partir dele, o drama social dos flagelados parece diluir-se no pano de fundo da paisagem calcinada que a linguagem de Raquel de Queiroz recupera de um ângulo lírico e alusivo, mais cheio de corrosão.

Para aqueles que gostam de saber e ouvir histórias de tanto sol, tanta fome, tanta sede, O quinze é uma excelente dica mesmo porque a história foi inspirada em fatos vividos pela própria autora. Por:
 Carmem Célia Monteiro Bernardes

Queiróz, Rachel de. O Quinze. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2002.150 paginas.