OFICINA DE LEITURA   Ângela Kleiman

Márcia Aparecida Barbosa

 

O texto apresentado por Ângela Kleiman inicia-se dando a oportunidade do professor educador a questionar sua formação profissional, sob aspectos que o levem a refletir sobre uma proposta de trabalho relacionada à interação professor/aluno cujos conceitos estarão voltados para a contribuição da aprendizagem dentro do processo do “ensino da leitura” sem aterem-se aos métodos tradicionais.

Sob o mesmo ponto de vista, a autora então, desperta uma reflexão sobre o trabalho docente relacionada à interação entre professor/aluno e vice-versa que segundo Kleiman, 1999, o que se tem buscado é imitações e tentativas de reproduções de métodos sem que os próprios educadores tenham os conhecimentos técnicos necessários para o desenvolvimento dos métodos que ao mesmo tempo, sem eles, acabam prejudicando acentuadamente a qualidade do ensino/aprendizagem do educando na Unidade Escolar.


Além disso, a autora questiona a necessidade do educador buscar propostas de trabalhos, alternativas metodológicas para que possam obter resultados significativos na sua prática pedagógica relacionada ao ensino da leitura, pois, antes de qualquer coisa, é preciso haver uma comunicação integrada entre o professor e o aluno e sobre tudo o respeito da construção do conhecimento que o aluno obteve fora da escola que certamente, ao viverem nesta sociedade são capazes de refletirem e responderem sobre quaisquer assuntos que lhes forem apresentados, levando-se em conta, os aspectos no processo da “construção” do conhecimento.


Por outro lado, Kleiman, 1999 destaca a importância da leitura em voz alta para que o leitor aprendiz se preocupe e aprenda com a pronúncia o ritmo e a entonação de como todo e qualquer texto deve ser lido. Afinal, a leitura para as crianças deve ser significativa e prazerosa e com isso, o educador conseguirá atrair o pequeno leitor para o mundo da linguagem escrita, mesmo sabendo que o conteúdo do seu conhecimento está centrado mais para uma leitura visual e individual do que propriamente dito a escrita de um texto que às vezes, torna-se complexo para o leitor aprendiz.

Para Kleiman, uma criança quando é trabalhada com métodos tradicionais de leitura ficam limitados no processo de construção do conhecimento no ensino da leitura e escrita e em conseqüência disso, a má formação da oralidade pode levar o leitor aprendiz a uma “cegueira” ortográfica e oral. Segundo a autora, não se pode construir o gosto pela leitura em uma criança sem atividades motivadoras, principalmente, para aquelas marcadas pelos ambientes em que a oralidade faz parte do seu cotidiano e sem conhecimento e comprometimento com a importância de se aprender a ler.

Segundo Kleiman, 1999 o letramento é o ponto de partida para resolver o problema da importância do ato de ler, é um dos processos mais amplo do que a alfabetização apresenta. Por sua vez, o letramento apresenta e focaliza os aspectos sócio-culturais na aquisição da linguagem escrita. Ele procura referências e descreve fatos de uma sociedade a qual o leitor aprendiz está inserido, colocando-o com um sujeito alfabetizado sem conhecer a leitura da escrita.

Dessa forma, para que o processo de letramento esteja inserido no contexto escolar, se faz necessário usar recursos materiais que venham de encontro com a realidade dos alunos das mais variadas formas encontradas em seu cotidiano. Assim, a autora conclui que um trabalho pedagógico realizado pela escola, exige inúmeras formas de mediação do educador estabelecendo um maior conhecimento e interação da criança durante o processo do ensino da leitura, com negociações produtivas e construtivas para o desenvolvimento de atividades relacionadas a uma proposta de trabalho mais concreta do educador, sem que haja uma simples transferência de conhecimentos do professor para o aluno, com formas diferenciadas de oralidade e escrita.

 

KLEIMAN, Ângela B. Oficina de Leitura. Teoria e Prática. Campinas: Pontes, 1999.