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Metodologias mais frequentes no ensino da leitura

(Resultado de Enquete/2011)

                                  

Equipe Leitura Crítica

2010 <<< 07 - 08 - 09 - 10 - 11 - 12 >>> 2012

Editorial          Base Teórica          Pesquisando           Relato            Resenha


Sabe-se que os professores brasileiros não aprofundam questões a respeito da leitura nos seus cursos de formação. Geralmente o assunto é tratado de maneira ligeira e superficial como um sub-tema das aulas de didática da língua portuguesa e/ou da literatura.

Na presença dessa lacuna de formação, os professores tendem à improvisação no encaminhamento da leitura, cegamente seguindo os passos estabelecidos pelos livros didáticos ou, o que não é incomum, imitar a maneira pela qual um professor seu ensinava leitura na educação fundamental ou média.

Nada temos contra as imitações desde que os modelos sejam bons, mas no caso da leitura os modelos deixam muito a desejar, repercutindo negativamente na condução das aulas e, como consequência, na formação dos estudantes.

A presente enquete almejou saber quais os métodos mais frequentes que os professores utilizam para o ensino da leitura. Um dispersão nas respostas poderia apontar para o fato de que são vários os modos de conduzir a leitura nas escolas; uma concentração numa única alternativa poderia, ao contrário, apontar para a chamada "rigidez metodológica".

No nosso ponto de vista, considerando as múltiplas finalidades das práticas de leitura, as diferentes configurações dos textos, as várias circunstâncias que circunscrevem os atos de ler, é importante que os professores possuam um repertório adequado de técnicas para ensinar a leitura ao longo da trajetória de um curso. Isto no sentido de poder motivar os seus alunos para a leitura e, ao mesmo, dinamizar as atividades de leitura para o atendimento de diferentes propósitos.

A ENQUETE

Que tipo de metodologia é mais frequente no seu ensino de leitura?

produção da ficha de leitura

  7,78% (07 votos)

leitura em voz alta

34,44% (31 votos)

elaboração de resumo

14,44% (13 votos)

leitura silenciosa

15,56% (14 votos)

cópia de trechos do texto

  1,11% (01 voto)

trabalho em grupo

21,11%  (19 votos)

outra

  5,56%  (05 votos)

Total: 90 votos (1° julho a 08 novembro-2011)

Conforme a tabela e o quadro, a "leitura em voz alta" concentra 35% do universo das respostas, seguida por trabalho em grupo (21%), leitura silenciosa (16%) e elaboração do resumo (14%). As demais alternativas não obtiveram altos percentuais, o que pode indicar baixa ou nenhuma utilização pelos professores, quais sejam: cópia e ficha de leitura.

Esses percentuais indicam que a leitura expressiva, eloquente, feita em voz alta, ainda prepondera nas salas de aula das escolas brasileiras. A indicação de trabalho em grupo para a exploração de textos, com 21%, talvez indique muitos preferem atividades coletivas de exploração de textos, o que é um grande alento.

Convém frisar que, caso houvesse um alto percentual na opção "outro", isto poderia indicar que os respondentes talvez fugissem às metodologias clássicas - ou mais conhecidas e divulgadas - para o encaminhamento da leitura, o que não ocorreu.

COMENTÁRIOS DOS PARTICIPANTES

29/10/2011  confidencial
A partir do resumo, percebe-se que o aluno consegue compreender melhor a narrativa e elabora uma produção da autoria dele. Dá um pouco de trabalho, mas o resultado tem sido bom.

27/10/2011 confidencial
Trabalhei com alunos de universidade, ensinos médio e fundamental. Adotei o método da ficha de leitura aberta(os alunos podem complementar com itens que eles achem necessários) e sempre obtive ótimos resultados.

Os dois únicos comentários desta enquete indicaram o resumo e a ficha de leitura, ainda que este segundo tenha sido severamente criticado por muitos estudiosos da leitura na medida em que a orientação para a produção das fichas segue um padrão fixo, baixado pelas editoras de livros didáticos.

CONCLUSÃO

O cenário construído por esta enquete revela que a "leitura em voz alta" é a metodologia mais utilizada pelos respondentes. Investigações mais bem calibradas, talvez envolvendo esquemas de observação da ação pedagógica em sala de aula, devem ser encaminhadas no sentido de verificar se esse cenário assim se apresenta empiricamente, inclusive abrindo perspectivas para verificar os seus resultados da insistência dessa metodologia na formação dos leitores.