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Viviane, conte para os nossos leitores um pouco de você: onde mora, o que
faz, formação, família, etc.
Eu moro entre a serra e o mar, na cidade de Cubatão, estado de São
Paulo. Sou filha e mãe de artista, escritora, produtora cultural, além de
ser pedagoga por formação. Também faço parte do Movimento Aliança de
Misericórdia, um povo bem criativo que dedica parte do tempo para ajudar
pessoas que estão abandonadas nas ruas. Penduro toda minha arte no blog
www.varaldecasa.blogspot.com
Você se diz uma leitora inveterada... de onde vem isso? Fale sobre os
responsáveis pelo seu amor à leitura.
Confesso que comecei a ler livros por acaso. Embora gostasse muito dos
cadernos de poesia que fiz com ajuda da professora Rosa, eu iniciei a
leitura de livros com O MENINO DO DEDO VERDE. Na verdade, eu me escondia
atrás dele quando minha mãe me pedia para ajudá-la com as tarefas
domésticas. Se dissesse que estava lendo, ela me eximiria do serviço. Foi
assim, até que um dia comecei a ler pra valer. Mas minha paixão absoluta
pela literatura despertou no tempo de formação acadêmica, quando percebi uma
lacuna: os professores no período de formação inicial não são estimulados a
ler literatura, nem adulta, nem juvenil, menos ainda infantil. Embora eu não
seja muito a favor desta "separação" de livros em faixas etárias. Mas por
conta desta ausência, eu passei a buscar muito mais a leitura de textos
literários.
Com base na realidade educacional brasileira de hoje, como vê o papel da
escola e dos professores na formação dos leitores?
A escola é a última esperança para a formação de leitores no nosso país.
Gosto de uma comparação que Ana Maria Machado faz sobre a formação de
leitores. Ela diz que não se pode aceitar que um instrutor de natação não
saiba nadar; e que igualmente não podemos acreditar que um professor que não
lê, estimule alguém a ler. Acredito nisto! Acredito na força da escola e do
professor para formar um país leitor. Mas precisamos, antes, de professores
leitores, apaixonados pela leitura. Eu acredito que chegaremos lá. Se não
acreditasse, pararia de escrever... de ler, nunca!
Fale agora sobre a sua produção literária. Aponte alguns dos seus livros
e a sua repercussão junto aos públicos.
Eu escrevo desde menina... Mas produção literária de maneira intencional, eu
comecei em 2007, quando ingressei numa oficina literária, com a Regina
Gulla. Um ano depois ganhei o II Concurso Literatura Para Todos, organizado
pelo MEC. A obra vencedora é um livro de poesia,
PÉ DE ALGUMA COISA PEDE OUTRA, que será publicada ainda neste
primeiro semestre de 2011, pelo Ministério da Educação, com uma tiragem de
600 mil cópias. Desde então não parei mais de produzir. Minha primeira obra
que já chegou às mãos dos leitores foi o
MARELIQUES DA PRAIA-LOUCA. Ele tem recebido muitos elogios de
crianças e, principalmente, de adultos; tanto pelo texto quanto pelas
ilustrações do Walther. Sinceramente, eu não me surpreendo que os adultos
gostem da chamada Literatura Infantil, porque eu sou apaixonada por estes
livros.
Agora, conte pra gente como nasceu a obra "Mareliques da Praia-Louca"; de
onde veio a inspiração para escrevê-la?
Escrever o MARELIQUES DA PRAIA-LOUCA levou tempo, mas valeu a pena,
literalmente. Ele começou com a paixão que adquiri pelos limeriques que
conheci através da Tatiana Belinky. Os limeriques são poemas de cinco
versos, com rima AABBA, sendo que os versos com rima A tem oito sílabas
poéticas e os de rima B tem cinco. Uma delícia de ler e escrever. A partir
disto comecei a escrever muitos limeriques e entre eles nasceu um com a
temática de praia. Como eu moro na única cidade que não tem praia na Baixada
Santista, resolvi escrever sobre uma praia maluca, onde as coisas eram sem
noção. Não que eu me atreva a dizer que meu livro seja uma obra de nonsense,
mas tem uma pitadinha dele, sim. Nesta maluquice literária nasceram os
mareliques e eles viraram um livro. Quando enviei o original para um amigo
ler, ele começou a ilustrá-lo compulsivamente. Nasceu então minha parceria
com o Walther Moreira Santos, ilustrador da obra. Ao enviar o projeto para
concorrer em Edital de publicação da Secretaria de Cultura do Estado de São
Paulo - PROAC, não imaginava que ele seria contemplado. E foi! E agora está
ai, uma praia-louca à disposição de quem quiser visitá-la. Não é minha, é do
leitor.
E o que vem pela frente? Quais os seus planos para a esfera da produção
literária?
Já neste primeiro semestre tem muita coisa. Eu revezo a produção
literária com projetos de fomento à leitura e produção cultural. Atualmente,
está em andamento o projeto Literatura Para Todos no Dique, premiado
pela FUNARTE com o Prêmio Interações Estéticas - Residências Artísticas em
Ponto de Cultura. É um projeto gostoso demais. Semanalmente realizamos dois
encontros com neoleitores das redondezas do ponto de cultura Arte no Dique.
São adultos recém alfabetizados que ainda não dominam perfeitamente a
leitura. Nós lemos livros produzidos especificamente para eles - como os da
I Coleção Literatura Para Todos - e depois realizamos diversas atividades
baseadas na leitura. Ainda neste semestre, o
www.portalpanapana.com.br
entra no ar. Um site com mini vídeos motivando a leitura e a produção
poética pelas crianças. Na verdade, um lugar pra brincar de poesia. O site
também tem apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e terá uma
área especial para download dos vídeos e apoio pedagógico para pais e
professores. Além disto, do que eu posso contar por enquanto, publico no
segundo semestre um livro em cordel, vencedor do Prêmio Mais Cultura de
Literatura de Cordel, do Ministério da Cultura; e dou aulas no curso de
Formatação de Projetos Culturais para a Prefeitura Municipal de Cubatão.
Se algum leitor se interessar pelas suas obras, onde comprar?
Eu publico todo conteúdo sobre minhas atividades no blog
www.varaldecasa.blogspot.com
. Já o livro MARELIQUES DA PRAIA-LOUCA pode ser adquirido pelo site da
Editora www.bichoquele.com.br ,
com novidades no site www.praialouca.com.
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